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Be Brave!

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Finalists of the Comedy Wildlife Photograph Awards

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A primeira viagem: o guia (que eu gostava de ter lido na gravidez)

Quando esperamos um bebé pela primeira vez, é como ter no bolso um bilhete só de ida para outro planeta. Sabemos que enfrentaremos mudanças definitivas e importantes, mas não sabemos como irão acontecer, nem fazemos realmente ideia do que vai acontecer connosco.

Nos dias de hoje, é raro encontrar uma grávida que tenha tido de cuidar de outros bebés. No tempo das nossas avós, as famílias eram de tal modo numerosas e os laços de proximidade eram tão fortes, que as irmãs mais velhas cuidavam dos mais novos e dos primos e dos vizinhos e formava-se uma rede de apoio só comparável às existentes para a apanha da azeitona. Hoje em dia chegamos mesmo à idade adulta sem ter nunca mudado uma fralda ou passado pela experiência de dar banho a um bebé que mal cabe no teu antebraço.

A única experiência sobre o parto é aquela visão cómica ou alienígena que vemos nos filmes e apesar de termos tido alguns insights sobre as mudanças que se avizinham, o mais certo é basearmo-nos nas experiências partilhadas por amigos que já foram pais – aqueles que já saltaram fora de órbita, que já viram o que há lá fora. Mas o resultado normal é que isso apenas vai encher a nossa cabeça de teorias para tudo e mais alguma coisa, para depois percebermos que quando chegamos ao outro lado, o planeta onde aterrámos é bem diferente de todos os outros que nos apresentaram.

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Amamentar sem paradoxos

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Comemorei 2 anos de amamentação. E cada dia que vier por acréscimo continuará a ser uma bênção para ambos. Hoje não consigo deixar de olhar para trás e recordar o nosso percurso. A nossa jornada foi sinuosa ao início, como é da praxe para tantas mães, mas a pouco e pouco foi fluindo até entrar em velocidade de cruzeiro. Juntos navegámos este mar tantas vezes incerto mas com um foco: amamentar o meu filho um dia de cada vez.

A premissa estava lá, mesmo antes de nascer. Somos mamíferos e para mim, seria mais do que natural amamentar. Já ouvia relatos das dificuldades e uma torrente de nova informação ia chegando por várias vias: no curso pré-parto, nos grupos de mães, de amigas que já tinham sido mães, nos livros, em artigos na internet…

Apesar das incertezas, tudo culminava numa grande vontade de amamentar, de dar o melhor de mim.

Durante a gravidez, estava longe de imaginar que esta simples escolha iria afectar e espelhar toda a minha forma de ver a maternidade.

Ignoro as estatísticas, mas não preciso de consultar dados oficiais para saber que faço parte de uma minoria. Não sei quantas mães amamentam os seus filhos que já passaram um ano de idade, mas acho que posso dizer que sei as dificuldades que enfrentam.

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O Segundo Ano de Vida na Vida de uma Mãe

O Segundo Ano de Vida

Já durmo oito horas seguidas. Já não escolho todos os dias aquilo que vais vestir. Já cedo confiante que vás passear com os tios. O meu coração de mãe está tão crescido!

Já não sou o teu piloto mas uma verdadeira companheira de viagem. Há um ano, equilibravas-te vertiginosamente no sofá e muitas foram as quedas que amparei. E tu sempre com um sorriso, porque levantar e cair era tão divertido! Hoje és tu que pedes a minha mão. Que controlas a velocidade e a direcção. “Mamã, eu posso ir sozinho, mas quero que vás comigo”.

Já consigo vislumbrar o Homem que serás um dia. Consigo vê-lo de perfil por um segundo. Ainda levemente. Como um holograma granulado, que espreita por trás de cada expressão de entusiasmo ou que se sobrepõe ao teu sorriso, que é a parte que herdaste de mim. Continuar a ler